~Kuma Kurutesu.


Após a partida de Kiviuq e Nautka da fazenda da bruxa da terra, Nanook sentiu-se determinado a dominar suas habilidades de transformação. Ele sabia que apenas a bruxa da terra, Lookia, poderia ajudá-lo a alcançar esse objetivo. Lookia era uma figura imponente e enigmática, capaz de se transformar em uma ursa com uma facilidade que Nanook invejava profundamente. Observando-a, ele notava cada detalhe da transformação: a fluidez dos movimentos, a serenidade no olhar e a ausência de qualquer sinal de dor ou esforço. Era uma metamorfose natural, quase poética, em contraste com a sua própria experiência, marcada por agonia e tensão. Decidido a aprender, Nanook se entregou ao treinamento com uma dedicação incansável. Lookia, percebendo a seriedade em seus olhos, aceitou o desafio de instruí-lo. Inicialmente, os exercícios eram simples, focando na respiração e na conexão com a terra. Lookia explicava que a transformação não era apenas física, mas também espiritual e emocional. "Você deve sentir a terra sob seus pés, Nanook, e deixar que ela guie sua mudança", ela dizia com voz suave, mas firme. Nanook praticava incessantemente, tentando absorver cada lição. Havia momentos de frustração, quando o estresse e a dor ameaçavam dominá-lo, mas ele se recusava a desistir. Ele sabia que dominar essa habilidade era essencial não apenas para si mesmo, mas também para proteger aqueles que amava. E assim, dia após dia, ele se aproximava cada vez mais de seu objetivo, inspirado pela maestria tranquila de Lookia e pela própria determinação indomável. Nanook, em sua forma de urso, olhava para Lookia com novos olhos. Ver a bruxa da terra transformada em ursa despertava nele uma admiração silenciosa. Ela se movia com uma graça e uma força que ele não podia ignorar, e algo dentro dele começava a se agitar, um sentimento que ele ainda não compreendia totalmente. Lookia sabia que o treinamento exigiria paciência e tempo, então incorporou atividades cotidianas na rotina, acreditando que essas tarefas ajudariam Nanook a se familiarizar mais com sua forma humana. Nas manhãs, eles cuidavam de Otka, a majestosa mamute albina, que havia se tornado um símbolo de força e serenidade na fazenda de Lookia. Alimentar Otka era um ritual que exigia delicadeza e paciência, características que Nanook precisava desenvolver para suas transformações. Ele observava como Lookia, em sua forma de ursa, se movia com uma graça inesperada, quase como se dançasse enquanto cuidava da grande mamute. Cada gesto dela parecia harmonizar força e suavidade de uma maneira que ele começava a achar fascinante. Durante as tardes, eles trabalhavam nos campos, plantando e colhendo frutos e legumes. Nanook, inicialmente desajeitado em sua forma humana, começou a notar como os gestos e movimentos que fazia como urso podiam ser adaptados às tarefas humanas. Ele via a conexão entre as duas formas, compreendendo que não eram opostas, mas complementares. Lookia o guiava, mostrando que o equilíbrio e a harmonia eram fundamentais, não apenas para a transformação, mas para a vida em si. À medida que os dias passavam, essas atividades cotidianas não eram apenas um meio de treinamento físico, mas também uma forma de construir uma ligação mais profunda com sua humanidade. Nanook começava a sentir menos ansiedade em sua transformação, encontrando uma paz interna que antes parecia inalcançável. Ele também sentia uma conexão crescente com Lookia, uma sensação que o deixava confuso e ao mesmo tempo curioso. Lookia observava seu progresso com orgulho, percebendo em seus olhos algo mais do que simples gratidão, mas sem ainda reconhecer plenamente o que isso significava. Em contrapartida, enquanto Nanook se dedicava ao treinamento para dominar suas transformações, ele também se via ensinando a Lookia uma forma diferente de ser. Ele compartilhava com ela os segredos do Ursina-te, uma arte marcial baseada nos movimentos dos ursos. Juntos, eles praticavam os movimentos fluidos e poderosos, mergulhando na essência da força bruta e da agilidade dos ursos. Nanook explicava a filosofia por trás de cada golpe e defesa, mostrando como a natureza podia ser uma professora sábia para aqueles que estavam dispostos a aprender com ela. Lookia, inicialmente hesitante, mergulhava de cabeça no treinamento, absorvendo cada ensinamento com uma determinação impressionante. Ela percebia como os movimentos do Ursina-te complementavam sua própria habilidade natural como ursa, tornando-a mais forte e confiante em sua forma animal. Enquanto Nanook aprendia a ser humano, Lookia aprendia a ser um urso de uma maneira que nunca imaginara antes. Eles trocavam conhecimentos e experiências, construindo uma conexão profunda que ia além das palavras. E à medida que a amizade deles se transformava em algo mais, uma faísca de algo novo começava a brilhar entre eles, uma faísca que talvez pudesse se tornar algo mais profundo no futuro. Com o passar do tempo, à medida que Nanook e Lookia mergulhavam mais profundamente em seu treinamento e na companhia um do outro, algo além da amizade começou a florescer entre eles. Nanook admirava a determinação e a força de Lookia, enquanto ela se encantava com a dedicação e a gentileza dele. Apesar de não serem explícitos sobre seus sentimentos, os olhares e gestos carinhosos revelavam a crescente conexão entre eles. E em momentos de silêncio, quando estavam juntos na tranquilidade da natureza, eles podiam sentir o pulsar suave de algo mais profundo, algo que os unia de maneira indescritível. Quando um estava perto do outro, havia uma energia especial no ar, uma sensação de familiaridade e conforto que transcendia as palavras. E embora não expressassem abertamente seus sentimentos, havia uma compreensão mútua e uma aceitação calorosa que os envolvia como uma suave brisa de verão. À medida que o tempo passava, essa conexão só se fortalecia, transformando-se em algo que nenhum dos dois poderia ignorar. E assim, enquanto o treinamento chegava ao fim e o momento da despedida se aproximava, ambos sabiam que algo mais estava nascendo entre eles, algo que talvez pudesse mudar o curso de suas vidas para sempre. Enquanto Nanook caminhava em direção à próxima fase de sua jornada, uma sombra repentina obscureceu o caminho. Um estranho ruído o fez virar-se, apenas para descobrir que Lookia havia desaparecido. Um frio repentino tomou conta de seu coração quando percebeu que sua amada havia sido sequestrada. Uma onda de fúria e determinação tomou conta de Nanook. Ele sentiu algo dentro de si queimando como chamas selvagens. Sem hesitar, ele se transformou em algo que nem ele mesmo sabia que existia: uma fera colossal, um urso ancestral com raios roxos faiscando nos olhos e pelos cheios de estática. Movido pela urgência de salvar Lookia, Nanook correu velozmente, suas patas batendo o chão com uma força que tremia a terra sob seus pés. Ele avistou o sequestrador, um híbrido grotesco, metade homem, metade esquilo voador, voando de árvore em árvore, mantendo Lookia inconsciente em seus braços. O coração de Nanook rugiu com uma fúria primordial. Com um gesto de sua pata, ele invocou um machado de raios negros, que cortou o ar com um zumbido ameaçador. Com um golpe poderoso, ele bateu no chão, desencadeando uma explosão de energia que derrubou árvores e eletrificou o ar ao seu redor. O sequestrador foi pego de surpresa e caiu de suas alturas, enquanto Nanook se lançava em sua direção, determinado a resgatar sua amada a qualquer custo. O destino havia lançado um desafio terrível em seu caminho, mas ele não recuaria. Seu rugido ecoou pela floresta, um grito de guerra que anunciava sua determinação implacável. O híbrido grotesco, meio homem, meio esquilo voador, caiu diante da fúria avassaladora de Nanook. Com um estrondo ensurdecedor, o solo tremeu sob o impacto de sua queda. Nanook avançou rapidamente para onde Lookia estava, protegendo-a com sua imponente presença. O sequestrador, embora ferido, não estava disposto a desistir tão facilmente. Com um guincho raivoso, ele se ergueu, lançando-se em direção a Nanook com garras afiadas e dentes à mostra. Uma batalha feroz se desenrolou entre os dois, com Nanook defendendo-se com ferocidade para proteger sua amada. Os raios roxos faiscavam nos olhos de Nanook enquanto ele enfrentava seu adversário com determinação implacável. Cada golpe desferido era um reflexo de sua vontade indomável de salvar Lookia. O ar ao redor deles tremia com a intensidade da luta, enquanto os sons de grunhidos e rugidos ecoavam pela floresta. Finalmente, com um golpe preciso e devastador, Nanook conseguiu subjugar o sequestrador. Ele olhou para ele com olhos faiscantes de triunfo, sua respiração pesada com o esforço da batalha. Com um gesto rápido, ele levantou Lookia em seus braços, segurando-a com ternura enquanto ela despertava lentamente. A tempestade de raios que havia sido desencadeada por sua fúria agora se dissipava, deixando para trás apenas a calma da floresta. Nanook olhou para Lookia com um misto de alívio e amor, sabendo que juntos haviam superado mais um desafio. E enquanto o sol se punha no horizonte, eles voltaram para casa, unidos pela força do amor e da determinação. Lookia despertou nos braços de Nanook, retornando à consciência em meio à segurança reconfortante de seus braços. Ela se transformou de volta em sua forma humana, olhando para Nanook com gratidão e admiração. Em seus olhos, ele viu o reflexo da profundidade de seus sentimentos, uma conexão que ia além das palavras. Nanook, exausto mas aliviado, olhou para ela com ternura e disse: "Um homem tem o dever de proteger seu bando." O significado por trás de suas palavras era claro: para ele, Lookia era mais do que apenas uma amiga ou companheira de treinamento; ela era sua família, sua pessoa amada. Lookia sorriu, compreendendo o que ele queria dizer. Ela sabia que, embora ele talvez não conhecesse a palavra "família", o sentimento por trás dela era tão forte e genuíno quanto qualquer outra coisa. E assim, juntos, eles retornaram à fazenda, onde passariam os próximos dois anos juntos, compartilhando uma vida repleta de amor, aventuras e novas descobertas. Na mesma data, dois anos depois, nasceu uma menininha albina de olhos amarelos, uma manifestação do amor entre Nanook e Lookia. E enquanto Nanook acariciava sua filha com um sorriso radiante, ele sentiu uma pequena descarga estática amarela, uma lembrança da extraordinária herança que sua filha havia recebido. Juntos, eles enfrentariam o futuro com coragem e determinação, prontos para qualquer desafio que a vida lhes trouxesse. Enquanto Nanook segurava sua filha nos braços, sentiu uma corrente elétrica suave percorrer seu corpo. Um pequeno choque estático amarelo brilhou entre eles, uma lembrança da herança extraordinária que sua filha havia recebido. Ele olhou para sua esposa com um sorriso cheio de orgulho e amor, sabendo que juntos haviam superado desafios e adversidades para chegar a este momento de felicidade. A pequena família albina de olhos amarelos era um símbolo de sua união e força, uma promessa de um futuro brilhante. Nanook sabia que a jornada deles estava longe de terminar. Havia muito mais para explorar, descobrir e enfrentar juntos. Mas com o amor que compartilhavam e a determinação que os impulsionava, eles estavam prontos para tudo que o destino reservava para eles. E assim, com a filha nos braços e o coração cheio de esperança, Nanook disse com todo carinho “seu nome é…”.

“Auroraaaaaa.." Nanook gritou. Antes que pudesse completar a frase, uma visão horrível tomou conta de sua mente: Lookia e sua filha estavam mortas carbonizadas.
Ele acordou com um sobressalto, suado e desorientado. O som de sua própria respiração ofegante ecoava no quarto silencioso. As paredes de madeira ao seu redor, que normalmente lhe traziam conforto, agora pareciam apertar seu peito. Ele olhou ao redor, tentando distinguir a realidade do pesadelo.
Era apenas um sonho, mas a sensação de perda era palpável, como se tivesse sido arrancado de dentro dele. Meses haviam se passado desde o nascimento de sua filha, Aurora, e a felicidade que sentira naquele dia parecia um contraste cruel com o terror do sonho que acabara de vivenciar.
Determinando afastar a inquietação que sentia, Nanook levantou-se. Ele sabia que precisava focar em algo prático, algo que pudesse fazer com suas mãos para afastar a escuridão de seus pensamentos. Decidiu ir à floresta pegar lenha. O ar frio da manhã, misturado com o som tranquilo das folhas e o cheiro da terra úmida, sempre lhe trazia uma sensação de paz.
Enquanto caminhava entre as árvores, ele se concentrou na tarefa de cortar e juntar a madeira. Cada golpe do machado no tronco era uma forma de liberar a tensão que ainda sentia no corpo. Os sons rítmicos do trabalho manual ajudavam a acalmar sua mente, mas a imagem do pesadelo persistia em seu subconsciente.
Com a lenha empilhada em seus braços, ele começou a voltar para casa. O céu começava a escurecer, e as sombras das árvores dançavam ao seu redor. Apesar da tranquilidade que a floresta geralmente proporcionava, uma sensação de pressentimento o acompanhava. Ele não podia explicar por quê, mas o medo do pesadelo parecia se agarrar a ele, recusando-se a deixá-lo em paz.
Mesmo tentando se focar no presente, Nanook não conseguia afastar completamente a visão da mente. Ele se perguntou se o pesadelo poderia ser um presságio, um aviso de algo que estava por vir. Com esses pensamentos perturbadores em mente, ele acelerou o passo, ansioso para voltar à segurança de sua casa e dos braços de sua amada Lookia e da pequena Aurora. Quando Nanook voltou para casa, a escuridão já envolvia a fazenda. As sombras das árvores balançavam com o vento, criando um ambiente inquietante. Entrou silenciosamente, carregando a lenha. A sensação de pressentimento que o acompanhara na floresta agora parecia mais forte. Ele parou por um momento na entrada, tentando discernir o motivo dessa inquietação crescente. Dentro da casa, o silêncio era absoluto. Normalmente, ele ouviria os suaves murmúrios de Lookia, cuidando de Aurora, ou os sons familiares da vida cotidiana. Mas naquela noite, havia apenas um silêncio opressivo. Nanook deixou a lenha de lado e começou a explorar a casa, cada passo ecoando nos corredores. Ao entrar no quarto, a visão que encontrou o deixou paralisado. Lookia e Aurora estavam deitadas, imóveis. Ele correu até elas, seu coração batendo descontroladamente. Ao tocá-las, a realidade cruel o atingiu: elas estavam sem vida. O terror e a dor que sentiu no pesadelo agora se materializavam diante de seus olhos. Um grito de dor e raiva escapou de seus lábios, transformando-se em um rugido primal. A terra ao seu redor pareceu tremer em resposta à sua angústia. Sua mente se recusava a aceitar a realidade, e sua visão ficou turva pelas lágrimas que agora escorriam livremente. Nanook caiu de joelhos ao lado de Lookia e Aurora, incapaz de entender o que havia acontecido. Ele abraçou seus corpos, sentindo-se impotente e devastado. Seu espírito de guerreiro, que sempre o mantivera forte em tempos de adversidade, agora parecia quebrado. A dor e a raiva dentro dele cresceram, transformando-se em uma fúria incontrolável. Ele sentiu sua humanidade se esvaindo, substituída por uma fera ancestral que rugia por vingança. A transformação foi instantânea e brutal: Nanook se tornou um monstro colossal, eletricidade faiscando em seu pelo, a força primal de seus ancestrais despertando em resposta à sua perda. Em sua nova forma ele ruge, o rugido que soltou reverberou pela floresta, causando uma onda de pânico entre os animais próximos. As árvores balançaram violentamente, como se sentissem a intensidade de sua dor e raiva. Ele destruiu tudo ao seu redor, seus golpes destroçando móveis e paredes, enquanto faíscas elétricas iluminavam a cena trágica. O cheiro do assassino – uma mistura de fuligem e fogo – impregnava o ar, e Nanook gravou cada nuance daquele odor em sua mente, determinado a nunca esquecê-lo. A transformação havia sido tão profunda e visceral que ele não conseguia mais retornar à forma humana. Seu corpo, agora gigantesco e coberto por um pelo negro e brilhante, pulsava com energia primal, refletindo a tempestade emocional que se desenrolava dentro dele. Nanook, consumido pela raiva, começou a vagar pelas vilas vizinhas. Ele se encapuzava para esconder sua verdadeira natureza, pois sabia que sua aparência eram temida e muitas vezes caçada. Seu tamanho e a energia que emanava de seu corpo, mesmo coberto, provocavam olhares desconfiados e temerosos dos habitantes locais. As pessoas mantinham distância, sentindo instintivamente o perigo que ele representava. Enquanto vagava, Nanook se tornou uma figura solitária e introspectiva, sempre à procura do cheiro que o levaria ao assassino de sua família. Cada dia que passava, a dor de sua perda o impulsionava a continuar, mesmo quando o desespero ameaçava consumi-lo. Ele sabia que não podia descansar até que justiça fosse feita. Durante suas viagens, Nanook começou a ouvir rumores sobre uma série de ataques misteriosos em outras vilas, todos marcados pelo mesmo cheiro de fuligem e fogo. Ele seguiu esses rumores, sua determinação inabalável. Cada nova pista o aproximava mais de seu objetivo, mas também o afundava mais em sua própria fúria e tristeza. A solidão de sua jornada era avassaladora. Nanook, que antes valorizava as conexões humanas e a vida em comunidade, agora se via afastado de tudo que amava. Suas noites eram preenchidas por pesadelos de sua família perdida, e seus dias, por uma busca interminável por vingança. O bloqueio que o impedia de retornar à forma humana era tanto uma maldição quanto uma proteção, mantendo-o focado em sua missão, mas também isolado de qualquer esperança de cura. Enquanto caminhava pelas florestas e montanhas, ele se lembrou dos momentos felizes que compartilhara com Lookia e Aurora. Essas memórias o sustentavam, dando-lhe a força necessária para continuar. Mesmo em sua fúria descontrolada, uma parte de Nanook ainda desejava encontrar a paz e o fechamento que só a justiça poderia proporcionar. Meses depois, em uma de suas jornadas solitárias, Nanook finalmente encontrou uma pista concreta. Em uma pequena vila, o cheiro inconfundível de fuligem e fogo estava presente. A memória voltou com força total, trazendo consigo a dor da perda e a necessidade urgente de vingança. Sem hesitar, Nanook pegou seu machado, uma arma infundida com sua própria fúria e energia elétrica, e o largou no chão, exatamente no centro da pequena aldeia, causando um tremor que reverberou pela vila. As pessoas saíram correndo de suas casas, assustadas e confusas, mas Nanook não prestou atenção a elas. Seu foco estava totalmente no indivíduo que agora tentava fugir. O possível assassino, percebendo que havia sido descoberto, correu desesperadamente pelas ruas da vila. Nanook, transformado em um grande urso negro com eletricidade faiscando em seus pelos, correu atrás dele, seus passos pesados fazendo o chão tremer. Ele seguiu o cheiro, cada vez mais forte, guiando-o como uma bússola. Nanook usou seus sentidos aguçados para rastrear o fugitivo, ignorando o medo e a confusão das pessoas ao seu redor. Ele corria de quatro patas, seu corpo imenso movendo-se com uma velocidade impressionante. As árvores e casas passavam como borrões enquanto ele se concentrava em sua presa. O cheiro de fuligem e fogo ficava cada vez mais intenso, sinalizando que ele estava se aproximando. Encurralando o indivíduo em uma clareira, Nanook sentiu o cheiro se intensificar. Não estava sozinho. Outros liths do fogo surgiram das sombras, seus corpos em chamas emitindo o mesmo odor característico. Eram cúmplices do assassino, dispostos a protegê-lo a qualquer custo. Nanook mudou para sua forma monstruosa, seu corpo enorme e eletrificado ficando ereto, impondo-se sobre os liths. Ele estendeu a mão, e seu machado, que havia ficado para trás na vila, voou até ele em uma explosão de energia. Os liths avançaram em um ataque coordenado, mas Nanook estava preparado. Com movimentos precisos e poderosos, ele girou seu machado, desferindo golpes que eletrocutaram e feriram seus oponentes. A fúria e a dor que sentia se manifestavam em cada golpe, cada rugido que ecoava pela clareira. Agarrando um dos liths feridos, ele exigiu saber onde estava o líder deles, a mente ardendo com a necessidade de vingança. O lith, ferido e rindo com um misto de loucura e desafio, fez um movimento com o dedão, indicando um gesto de desprezo, antes de se explodir junto com os outros. A explosão deixou Nanook desorientado por um momento, mas a raiva rapidamente tomou conta. Ele gritou de frustração, seu rugido ecoando nas montanhas. Desanimado e sentindo que sua jornada estava em vão, Nanook caiu de joelhos, as lágrimas escorrendo pelo rosto. A esperança que tinha se esvaiu, deixando apenas a dor crua de sua perda. Sua busca por justiça parecia interminável e infrutífera, e a solidão o envolveu como um manto. Foi então que, no meio de seu desespero, uma voz suave e infantil chamou: "Papai.”, Nanook procura a fonte da voz porém não acha nada, ele ouve raios e trovões numa vila próxima, por algum motivo isso lhe chama atenção, ele vê um raio específico, de cor amarelada, que o faz lembrar de Aurora no mesmo instante. Nanook avançou cautelosamente na direção do raio amarelo, seu coração batendo forte no peito. Chegando ao local, encontrou uma casa em ruínas, mas no meio dos destroços estava um bebê humano albino, ileso e olhando para ele com curiosidade inocente. O bebê usava um colar em forma de ursinho amarelo, que brilhava suavemente na escuridão da noite. O gigante híbrido sentiu uma mistura de surpresa e ternura ao ver a criança. Com cuidado, ele a pegou nos braços, sentindo uma conexão inexplicável com aquele pequeno ser. O colar em formato de ursinho emitia pequenas faíscas de eletricidade, um lembrete sutil de sua própria natureza, mas isso não importava naquele momento. Decidindo que não podia deixar a criança sozinha, Nanook a levou para a réplica da fazenda onde havia vivido com Lookia. Lá, ele preparou um lugar seguro e confortável para o bebê, certificando-se de que estivesse bem cuidado. Enquanto observava a criança adormecer, ele sentiu um calor reconfortante em seu coração, uma sensação de que talvez, apesar de toda a dor e perda, ainda houvesse esperança e alegria no mundo. Com o bebê dormindo tranquilamente ao seu lado, Nanook prometeu protegê-lo com todas as suas forças. Ele sabia que essa criança era um presente precioso, uma nova chance de encontrar felicidade e propósito em sua vida.
